Colunas | 30/03/2009

Paraguaias peladas

Ernani Ssó

Vi umas paraguaias peladas, num protesto contra armas nucleares chamado “Peitos e bundas pela paz”. Foi divertido. Devem protestar mais. Mas não dá para acreditar que haverá paz por mais bonitas que sejam as paraguaias. Só haverá paz quando a paz for lucrativa.

O poder da fé

Vários estudos provaram que as pessoas que acreditam em Deus se preocupam menos, levam mais livre os próprios erros e resistem melhor às doenças. Palmas pra elas. Mas é bom lembrar que a avestruz, enquanto está com a cabeça enterrada na areia, também fica na boa, achando que o traseiro virado pra cima está à mercê apenas da brisa gentil da primavera.

O céu é o limite

Tem um banco aí garantindo que dinheiro cai do céu. É verdade. Se chamarmos os cofres públicos de céu, o tempo é chuvoso para muita gente.

Estilo coloquial

Escrevo mais ou menos como falo. Digo mais ou menos, porque, ao escrever, finjo que falo, e isso faz uma tremenda diferença. Agora, o nível de besteiras é um pouco maior quando falo, porque não passo as conversas a limpo.

Livros psicografados

Vocês já notaram o estilo dos livros psicografados? Não interessa se o sujeito foi em vida um grande escritor, quando dita, depois de morto, não tem graça nenhuma, sutileza nenhuma — é sempre a mesma papa de papagaio, sem gosto, sem forma e sem cor. Acho isso apavorante. Ou a morte tritura o talento literário ou um texto, ao passar do outro mundo para este, perde a qualidade, como certas transmissões com estática. Ou será que o vivo que traduz a fala do morto escangalha o texto, como a maioria dos tradutores?

Eu, como o Mario Quintana, estou fora. Mal assumo a autoria do que escrevo agora, vivinho da silva. Com a morte pretendo tirar definitivamente meu cavalo da chuva. Ou meu teclado, sei lá.

O que há depois da morte?

Como diria Marge Simpson, está aí um desses mistérios que é melhor não investigar, como a composição da salsicha.

Camisinha em santo do(de) pau oco

oOo Papa prega abstinência no combate à Aids. Por que não no combate a estupradores e padres pedófilos? oOo Camisinha não é solução para a África, diz papa. Camisinha na língua do papa não é solução para opiniões infectas. oOo Segundo o papa, é necessário um “despertar espiritual e humano” para combater a Aids. Acho que é necessário um despertar espiritual e humano para tirar a Igreja da Idade Média. oOo

Sharon Stone, escritora

Ela escreveu um livro de contos de mistério. Imagino que logo será traduzido para uma dezena de línguas e, se bobear, algum dos contos vira um desses filmes com orçamento acima de cem milhões de dólares. Agora, se eu der uma boa cruzada de perna pego, no máximo, uma cana por atentado ao pudor. É a livre concorrência, o mercado livre, entende?

Companhias

Platero e yo? Não, muito menos Marley e eu. Como o Fraga, prefiro William Wilson e eu, quer dizer, o Fraga prefere William Wilson e ele. Puxa, acordei culto pra chuchu hoje!

Deu no jornal

Apagões em Uganda “provocam aumento da natalidade”. Está provado que sexo na tevê não sai da tevê.

Deu na Coletiva.net

André Arnt: “Para sanar as cíclicas crises do capitalismo, só há uma receita, mais capitalismo”.

O capitalismo, em teoria, funciona que é uma beleza, exatamente como o comunismo também funciona em teoria. Acho que o problema do capitalismo são os capitalistas e o problema do comunismo são os comunistas. Mas me deem um desconto. Sou um homem sem fé. Mesmo a descrença olho com desconfiança.

Beleza

Como o relativismo e o multiculturalismo estão na moda, imagine uma mulher politicamente correta, em matéria de beleza, quer dizer, com todos os atributos considerados belos em várias culturas: pés atrofiados das chinesas, seios de bola de basquete das americanas, bunda de saúva das brasileiras, pescoço de dois palmos de comprimento de certa tribo africana, gordura de esquimó e… Ei, volte aqui!

Conto erótico

E aí começou a sessão de sexo oral com o botocudo…



 

Ernani Ssó

redacao@coletiva.com.br

Ernani Ssó se define como “o escritor que veio do frio”: nasceu em Bom Jesus, em 1953. Era agosto, nevava. Passou a infância ouvindo histórias e, aos 11 anos, leu seu primeiro livro sozinho:Robinson Crusoé. Em 1973, por querer ser escritor, entrou para a Faculdade de Jornalismo, que deixou um ano depois.  Em sua estréia, escreveu para O Quadrão (1974) e QI 14,(1975), publicações de humor. Foi várias vezes premiado. Desenvolve projetos literários para adultos e crianças.

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